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Entre o prazer do estomâgo e o acender do desejo existe apenas o passo incontornável do instinto. Quando uma mulher rejeita o convite de um homem, para jantar, não quer dizer que lhe falta apetite pela comida, mas sim pelo homem. O segredo das carícias é o impalpável. Ter uma receita com os ingredientes certos não é suficiente. Para além disso é necessário um dom. O olfacto deve chegar à essência daquilo que se tem entre mãos e a cozinha exige um verdadeiro acto de amor na confecção de cada prato. O meu gosto pela comida afrodisíaca tem mais a ver com o prazer de fazer amor do que pela comida em si. Cada prato que sai das minhas mãos leva este instinto implícito. Em viagens à volta do mundo, fui descobrindo ingredientes e especiarias que ajudam o "instinto" a libertar-se. O objectivo da comida afrodisíaca é o de inundar os sentidos e cultivar o desejo. O hedonismo é necessário para tudo, tanto para comer bem como para amar bem. O prazer é maior quando as coisas acontecem no seu devido momento. Na cama o desejo chama-se "líbido" e na cozinha "fome" A líbido e a fome têm um aliado comum: a imaginação...
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